O bispo de Vacaria Dom Sílvio Guterres Dutra emitiu um vídeo, nesta quarta-feira (08), justificando sua presença em um evento político realizado em Ibiaçá no fim da semana passada. O religioso ainda pediu perdão aos católicos por aquilo que considerou "um equívoco movido por falta de discernimento e prudência" ao aceitar participar de uma foto que foi publicada posteriormente nas redes sociais.

Desde a última sexta-feira (03), circulam pela Internet vídeos e fotos do religioso integrando a mesa principal de uma plenária do Partido dos Trabalhadores (PT), realizada no Salão Paroquial de Ibiaçá. As publicações geraram comentários condenando a presença do bispo no evento político-partidário que lançou a pré-candidatura de Claudiomiro Fracasso à Assembleia Legislativa.

No vídeo, Dom Sílvio afirma ser um “dever de consciência” manifestar-se publicamente sobre o ocorrido. O religioso defendeu que “as fotos e a publicação não permitem que se entenda o contexto” da presença no evento. “Aceitei o convite para dizer palavras sobre a relação da fé cristã e da política. Tenho me disposto a estar presente com políticos, tenho recebido muitos políticos aqui na minha casa. Tenho disposição de continuar participando de encontros, seja da agremiação política que for, para dizer a palavra que, em nome da fé cristã, nós temos para dizer. Especialmente neste tempo em que nós precisamos encantar novamente a política, tirando a ideia que foi colocada sobre a política como se fosse um lugar do mau”.

Em uma das publicações que circula nas redes sociais, Dom Sílvio aparece discursando ao público presente no evento. Na fala, o bispo afirma que nasceu em uma família que ama a política e viu seu pai e seus irmãos “militando nos sindicatos”. Na sequência, o religioso defendeu a boa política e afirmou que sempre incentivou os leigos a participarem da política.

Na nota publicada nesta quarta-feira, Dom Sílvio reiterou o pedido de desculpas e colocou-se à disposição de outras agremiações políticas. “Reconheço meu erro pela função que ocupo de bispo, sendo bispo de todas as pessoas. Mas, também, fico à disposição de outros políticos que entendam que a minha palavra, a minha presença, possa dar sentido e possa iluminar algum caminho para aquilo que o Papa Francisco chama de “a política boa” que nós precisamos trabalhar. Peço mais uma vez o perdão pelo estrago. A minha missão de bispo não me permite me dar o direito de criar confusão, muito menos escândalo. E, ainda mais, se aconteceu divisão entre cristãos da nossa Diocese por causa dessa publicação. Rezem por mim e pela minha missão aqui na diocese”, finalizou o religioso.