O presidente do Hospital Santo Antônio de Tapejara, Rogério Zimermann Doering, afirmou em entrevista ao jornal Novo Tempo, que o novo piso salarial da enfermagem poderá representar um impacto financeiro de R$ 2,4 milhões por ano, na folha de pagamento do hospital. Atualmente, o HSA possui 116 colaboradores na área, sendo 92 técnicos de enfermagem e 24 enfermeiros. Haverá um acréscimo de cerca de R$ 205 mil por mês nas despesas relacionadas ao pagamento de servidores.

"Somos totalmente a favor de uma remuneração justa aos enfermeiros, mas espero que o Governo tenha feito no detalhe a conta que ficará para cada instituição e que os bilhões declarados sejam suficientes para repasses, sem grandes prejuízos aos hospitais. Por enquanto temos a promessa de um auxílio do Governo Federal, mas podemos contar com isso só quando o dinheiro estiver na conta”, observou Doering, ao analisar o impacto financeiro e orçamentário do Projeto de Lei 2564/20, do Senado.

O projeto fixa o piso salarial de enfermeiros em R$ 4.750,00, o de técnicos de enfermagem em R$ 3.325,00 e o de auxiliares e parteiras em R$ 2.375,00.

O pagamento do piso nacional foi liberado pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 15 de maio. Contudo, o ministro entendeu que estados e municípios devem realizar os depósitos para os profissionais nos limites dos valores que receberem do governo federal.

A decisão do ministro foi proferida após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sancionado a abertura de crédito especial de R$ 7,3 bilhões para o pagamento do piso. A medida foi publicada na sexta-feira (12), Dia Internacional da Enfermagem.

Em setembro do ano passado, Barroso suspendeu o piso salarial nacional da enfermagem e deu prazo de 60 dias para entes públicos e privados da área da saúde esclarecerem o impacto financeiro. Segundo os estados, o impacto nas contas locais é de R$ 10,5 bilhões e não há recursos para suplementar o pagamento.

Na nova decisão, o ministro disse que os recursos repassados não serão suficientes para que os estados garantam o pagamento do piso para profissionais que trabalham no Sistema Único de Saúde (SUS).