Projeto Colorindo o Amanhã homenageia desenhista e escritor água-santense
Parada de ônibus contempla hoje um novo visual
O Projeto Colorindo o Amanhã nasceu ainda em 2021 com o intuito de levar, além de cor, alegria e representatividade para as Escolas e muros públicos. E hoje contempla, no coração da cidade, na Praça Central Avelino Júlio Pimentel, na parada de ônibus um belíssimo retrato da pintura do artista água-santense, Badu, que além de seu um talentoso desenhista é poeta.
A parada de ônibus contempla hoje um novo visual, esse cheio de significado e representatividade. Extraído do livro “Cortinas Sépia” do escrito água-santense, Badu, o desenho e o poema retratam parte da vida daquele menino sonhador, sensível e criativo e também da vida de todos nós água-santenses, porque o desenho retrata o antigo moinho de nossa cidade.
Trecho extraído do livro Cortinas Sépia do poeta água-santense que retrata em sua magnitude o velho moinho de Água Santa:
“O velho moinho era uma construção de madeira, imponente, de agigantado porte querendo tocar o céu, habitado pelas criaturas do imaginário e assustador da mente do menino. Refúgio de andorinhas, corujas, pardais construindo seus ninhos em partes mais altas e dependurados balões, parecendo feitos de papelão pelas vespas em adornos das calhas. Aranhas tecendo em arte grandes teias na espera de suas presas, os mosquitos e pequenas mariposas de trajes comuns, outras tatuadas em lindos traços se debatendo para se livrarem das armadilhas. Os ratos furavam as bolsas empilhadas espalhando grãos e nos farrapos das estopas abrigavam suas ninhadas de herdeiros. O rato roeu a roupa do rei de Roma... Roeu também as bolsas de grãos do moinho. Os morcegos procurando em seus voos cegos e deselegantes as partes sombrias para se esconder, ratos e morcegos viviam como donos absolutos do lugar no empoeirado e sujo de restos dos grãos. Do pai vinha a missão de fazer as engrenagens de o moinho funcionar, com correias e uma grande pedra circular com eixo central moendo os grãos, para fazer a farinha de trigo e do milho também a canjica e descascar o arroz. Com cordas em entrelace de roldanas que levavam pesadas bolsas de grão do porão e um andar a outro com menor esforço das mãos. A farinha caia em grande caixote e era levada por homens que faziam uma trouxa em uma bolsa com abertura central, dividindo a moagem em pesos e volumes iguais, colocada no dorso dos cavalos para o destino de suas casas. Vinha desse moinho o trabalho árduo do pai para o sustento da família, que por vezes se estendia nas noites para dar vazão aos grãos que eram trazidos com carroças e algumas raras camionetes durante o dia”.
“Esse investimento de R$ 7.713,00, empenhado pela Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, é irrisório por todo simbolismo da arte do talentoso Badu. Queremos que mais pessoas possam contemplar as obras desse água-santense, por isso retratamos através do Projeto Colorindo o Amanhã uma pequena parte da obra dele. O Badu é sinônimo de representatividade para nós. Representatividade de força, resiliência e talento”, comentou o prefeito, Eduardo Picolotto.