Entrevista: Lasier Martins, senador – Podemos RS
*Por Rodinei Agostini
Novo Tempo – Como o senhor analisa o momento político pelo qual passa o Brasil, especialmente com um novo Governo e a Reforma da Previdência, aprovada pelo Senado?
Lasier – Vivemos uma época excepcional de crise, com instituições enfraquecidas, desacreditadas, em conflitos internos e, com isso estamos diante de uma descrença impressionante da população brasileira. Não é apenas o Executivo, onde houve uma eleição de Jair Bolsonaro, para não deixar que o PT prosseguisse no poder, em razão dos verdadeiros saques que cometeram com o dinheiro brasileiro nos últimos anos, se aproveitando de grandes estatais. De positivo nisso tudo, vimos o despertar do interesse pela política, onde os brasileiros reconheceram que precisava haver mudanças. É uma pena que o presidente eleito, no qual eu votei, não correspondeu ao que nós precisávamos. Formou-se uma equipe de qualidade, com alguns grandes ministros, mas Bolsonaro se tornou um homem de conflitos, se portando mal com alguns países com os quais sempre tivemos uma tradição de cordialidade, como Alemanha, Noruega, França, Chile. É uma pena, mas espero que o Governo se recupere. Mas, pelo menos há um homem que está lutando sozinho para tratar do aspecto econômico, Paulo Guedes, que é um dos dramas que nós vivemos. A crise econômica do Brasil é muito profunda, até poucas semanas o déficit previsto para este ano era de R$ 150 bilhões, com o Pré-Sal já reduziu este déficit para R$ 129 bilhões. Diante disso, o Governo hoje não consegue socorrer os estados. Tivemos uma renovação de 49% na Câmara de Deputados e 85% no Senado. Temos muita gente nova e boa, mas ainda somos minoria, por isso criamos o Muda Senado, para enfrentar os defensores da acomodação. No judiciário também enfrentamos decepções com Gilmar Mendes, entre outros. Os poderes estão minados por erros, que não são apenas equívocos, mas muitos deles acontecem de má fé. E só podemos mudar o Brasil com o apoio da população, que devem ir às ruas brigar pelas injustiças, pois a velha política continua dominando.
Novo Tempo – Qual a sua opinião sobre o retrocesso que sofremos, com a derrubada da condenação/prisão em segunda instância e sobre a CPI da Toga no STF?
Lasier – A CPI da Toga ficou muito difícil pelo escoamento do prazo, pois estamos há poucas semanas do encerramento do ano Legislativo. Porém, novos motivos nós passamos a ter, como a votação do Supremo que, liderado pelo Toffoli, preparou o terreno quando inventou que as razões finais dos processados da Lava Jato deveriam ter por último para falar os delatados, não estando junto com os delatores. Isso não tem embasamento legal nenhum, e sim uma única, escancarada e sórdida intenção de minar os processos e tentar o retardamento deles para voltar a instâncias inferiores, para recomeçar a fase de razões finais. Posso citar a atitude absurda de suspender as investigações da Receita Federal, o enfraquecimento do COAF, que mudou de nome e lugar, para esconder aqueles que se apossaram de dinheiro ilícito. Tudo isso justifica a volta do processo da CPI da Toga, que pretendemos retomar no ano que vem.
Já a segunda instância vigorou até bem pouco, desde 1940, pois é nesta instância que se encerra a produção de provas. Apenas 1,5% dos processos são julgados em grau de terceira e quarta instâncias. Neste caso, a sociedade é a grande prejudicada, pois terá que conviver com o retorno às ruas de multidões de delinquentes. Isso é um absurdo de contrariedades que estamos vivendo
Novo Tempo – Recentemente o senhor foi escolhido como melhor senador da República. Como recebeu este reconhecimento?
Lasier – Para mim foi uma surpresa. Foram avaliados uma série de quesitos, entre eles a qualidade dos Projetos de Lei aprovados (tenho 71 em tramitação), os votos proferidos em sintonia com a vontade da sociedade brasileira, assiduidade, austeridade (sou um senador muito econômico). Também tenho um Projeto de Resolução na Mesa do Senado, com o objetivo de reduzir R$ 500 milhões no orçamento previsto para o próximo ano. Fizemos um levantamento e provamos que muitos gastos podem ser evitados, pois o Brasil está em crise. Com todos estes aspectos avaliados, tive a grata satisfação de ser escolhido como o melhor Senador e receberei esta honraria no dia 27 de novembro.
Novo Tempo – Os jornais impressos passam por transformação. Como ouvimos aqui, em palestras, se sustentarão os jornais que priorizarem a credibilidade e trabalharem com isenção. O que o senhor pensa sobre isso?
Lasier – Nós estamos vivendo um novo mundo, o mundo das tecnologias.  O cenário tradicional está ficando para trás, e estamos numa nova era, a qual temos que nos habituar. A história e os grandes personagens da história não interessam mais aos jovens, que só querem saber daqui para frente. Isso faz parte do mundo novo e tem refletido no aspecto da empregabilidade, onde muitos empregos estão desaparecendo e outros ligados à tecnologia estão surgindo. Os jornais que resistem precisam tratar da credibilidade e se preparar também para o conteúdo digital, porque a informação é aqui e agora.